quarta-feira, 17 de junho de 2020

COLEÇÃO
João Cândido Martins, 2003

Coleciono um milhão de vidas
Que a chuva molhou de surpresa,
Gerando imagens distorcidas,
Encharcando plenas certezas.

Coleciono coisas que não preciso.
Confuso, coleciono manhãs.
Tenho guardado o teu sorriso
Na gaveta das coisas vãs.

Ostento virtudes odiosas.
Planto rosas de aço, indiferente.
Em meio à colisão das nebulosas,
Vivo num cofre transparente.

Grito em meio ao sono
Palavras que desconheço.
Inquietudes coleciono,
Frases ditas ao avesso.







Foto: João Cândido Martins (2004)

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