terça-feira, 16 de junho de 2020

À DERIVA
João Cândido Martins

Andar à deriva
Numa perplexa e obsessiva
Desorientação
Andar a esmo
Mesmo em meio 
Ao espasmo febril
Da multidão

Ser quem se é
Seja onde for
Ser quem se é
Sem pedir por favor
Limpar as xícaras e pires
Lustrar os cálices de cristal
Pesar menos que o arco-íris
Transcender em meio ao quintal

Esquecer todas as certezas
Ou mantê-las todas presas 
Com cadeados e trancas
Pisar sem receio em nuvens brancas
Construir um castelo amarelo
Que não seja feio, que não seja belo
Mero devaneio numa sinfonia em ré menor
Sustenido
Para oboé e violoncelo
Sem muita coesão
Sem muito sentido
Translação
Elo
Ruído


Sem comentários:

Publicar um comentário