quarta-feira, 27 de maio de 2020

KING CRIMSON - 1973 - "LARK'S TONGUES IN ASPIC"
João Cândido Martins


Dia 9 do desafio feito pelo amigo David Bessa, para que nos próximos 10 dias eu poste 10 discos que influenciaram minha formação musical.

"Lark's Tongues in Aspic" (King Crimson, 1973). Após instituir em 1969 todas as regras do Rock Progressivo com o disco "In the Court of the Crimson King", o guitarrista Robert Fripp lançou "In the Wake of Poseidon" (70), "Lizard" (70) e "Islands" (71), três bons discos (cada um à sua maneira), que não tiveram tanta repercussão quanto o disco de estréia. Mas em 73, Fripp reformulou a banda, passando a contar com a presença do baterista Bill Bruford (ex-Yes) e do baixista John Wetton (ex Renaissance e Family). A banda ainda tinha a participação de David Cross alternando-se entre o violino e o mellotron e Jamie Muir, na bateria e na percussão.


Com essa formação, o King Crimson revolucionou tudo novamente, misturando prog sinfônico tradicional, música pastoral, "noise" (barulhos e distorções), compassos não convencionais e as escalas e solos de guitarra de circularidade neurótica que Fripp já vinha desenvolvendo desde o início da banda. Em certos momentos, o som é tão ou mais agressivo do que qualquer Hard Rock ou Heavy Metal. Se o Led Zeppelin herdou de Hendrix a brutalidade empregada no Blues, o King Crimson bebeu na mesma fonte, mas preferiu apostar no lado mais vanguarda de Hendrix, explorando microfonias e dissonâncias.


Ouvi o disco pela primeira vez na casa do meu amigo Marco Farracha Guedes, ali por 91. Eu estava sentado num sofá ao lado da caixa de som, então pude ouvir cada detalhe. E até hoje, toda vez que ouço, descubro coisas novas. O disco já foi relançado em diversos formatos de luxo. Se eu fosse um milionário com dinheiro sobrando, com certeza compraria a caixa "Lark's Tongues in Aspic - The Complete Recordings", que tem todas as gravações feitas para o disco, músicas alternativas que não entraram no repertório, shows, ensaios, entrevistas, etc. São 13 CDs, 7 DVDs e 10 Blue Rays. O material foi lançado no Japão em 2012. Quem não quiser gastar tanto dinheiro (e não tem paciência pra ouvir tanta coisa referente a somente um disco), pode ir atrás da caixa "The Great Deceiver", lançada em 1992. São 4 CDs com performances ao vivo entre 73 e 74, isto é, que abrangem também músicas dos discos "Starless and Bible Black" e "Red". Acredito que "Lark's Tongues in Aspic" seja o disco mais ousado da história do Rock Progressivo e merece ser ouvido sem preconceitos.


01. "Larks' Tongues in Aspic, Part One" (D. Cross/R. Fripp/J. Wetton/B. Bruford/J. Muir) – 13:36
https://www.youtube.com/watch?v=CVb2tnFN5AA
02. "Book of Saturday" (R. Fripp/J. Wetton/R. Palmer-James) – 2:49 https://www.dailymotion.com/video/x2g7k5g
03. "Exiles" (D. Cross/R. Fripp/R. Palmer-James) – 7:40
https://www.dailymotion.com/video/x2g8mrm
04. "Easy Money" (R. Fripp/J. Wetton/R. Palmer-James) – 7:54
https://www.dailymotion.com/video/x2oruc8
05. "The Talking Drum" (D. Cross/R. Fripp/J. Wetton/B. Bruford/J. Muir) – 7:26 https://www.dailymotion.com/video/x2g96b8
06. "Larks' Tongues in Aspic, Part Two" (R. Fripp) – 7:12
https://www.dailymotion.com/video/x2gb3wi


 

 

 

 

 


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