quarta-feira, 27 de maio de 2020

PINK FLOYD - 1977 - "ANIMALS"
João Cândido Martins

Dia 3 do desafio feito pelo amigo David Bessa, para que nos próximos 10 dias eu poste 10 discos que influenciaram minha formação musical. 

"Animals", - https://www.youtube.com/watch?v=8yBxs8BiDvU - lançado pelo Pink Floyd em 1977, é, na minha opinião, o melhor trabalho da banda. A ideia central que Roger Waters propôs nesse disco foi uma análise do comportamento humano dentro do contexto orwelliano de que a humanidade se dividiria em porcos tiranos, cachorros autocratas e ovelhas submissas. A partir dessa premissa, temos as letras mais ácidas e politizadas que a banda produziu em toda sua carreira. 

Do ponto de vista musical, o disco sintetiza tudo que o rock progressivo teve de melhor a oferecer. Eu sei que há quem diga que Pink Floyd não é uma banda progressiva, mas se "Dogs" não é uma suíte prog, nada mais é. O disco ainda conta com os melhores solos de David Gimour. A capa de "Animals" pode ser tranquilamente inserida em qualquer lista de capas mais importantes da história do rock (mais uma produção da empresa Hipgnosis, do designer Storm Thorgerson). A lúgubre imagem da Usina de Força Battersea num pôr do sol macabro com um porco voando entre suas chaminés virou poster na parede de muita gente.
"Animals" saiu no mesmo ano em que o Movimento Punk estourou na Inglaterra e nos Estados Unidos. Curiosamente, o disco, apesar de ser progressivo até o talo, exala uma aspereza punk que consegue ser mais sarcástica e agressiva do que os petardos de 3 min produzidos por Sex Pistols, Clash, etc. Em 92, Roger Waters declarou: "Quando aconteceu o punk? Eu nem percebi". 

Eu não posso deixar de destacar que Waters tocou "Animals" praticamente inteiro em sua última turnê de 2019 pelo Brasil. No Estádio Couto Pereira, havia uma delimitação judicial de que ele não poderia se manifestar sobre candidatos à presidência depois da meia noite, pois já seria o dia da eleição. Waters não se abalou e emitiu seu "Ele Não" contra Bolsonaro 30 segundos antes da meia noite, conforme delimitou a Justiça. As reações foram diversas, mas se houve fascistas que reclamaram, também teve quem exultasse naquele momento (eu entre eles). Esse show memorável eu conferi em companhia do Alberto Xavier Pedro, da sua esposa, da sua filha e do camarada Eduardo.


 













 

 


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