quinta-feira, 28 de maio de 2020

TERROR B NA MADRUGADA DE SÁBADO (1980)
João Cândido Martins

Ali por 1980, houve um sábado à noite em que eu, aos sete anos, atravessei a madrugada assistindo a Sessão de Gala (que começava lá pelas 22:30 na Rede Globo) e segui noite adentro com os filmes do Corujão. Foi a primeira vez na vida que fiz uma noitada dessas, comendo pão com presunto e mostarda acompanhado por Tang laranja. O primeiro filme foi sobre um ataque generalizado de abelhas numa pequena comunidade dos Estados Unidos. O nome do filme era "O Enxame", de 1978, com Michael Caine. O personagem se sacrificava pra salvar todo mundo, morrendo sob um manto de abelhas raivosas. Tem umas cenas do filme nessa pequena propaganda pra TV https://www.youtube.com/watch?v=edb7qypPUJo&fbclid=IwAR0NASYJ8VYH9evKUTQQGZpHJ02YKxJqEZKhEX49YVncbwFJRLaKay70HUA Só nesse primeiro filme da minha maratona, eu, aos 7 anos, já fiquei bem impressionado.

Daí veio o segundo filme, que anos depois descobri ser um clássico do cinema B: "O Monstro de Duas Cabeças", de 1972. Não lembro bem a história, mas basicamente a cabeça de um cientista é transplantada para o corpo de um presidiário que teve sua cabeça original mantida, portanto o corpo passou a ter duas cabeças. Só que ele, o cientista, está à mercê do presidiário que controla o corpo e quer se livrar o quanto antes da sua segunda cabeça. E daí os desdobramentos dessa situação. A unica coisa que eu recordo nitidamente é a fuga do bicéfalo numa moto. Imagino que à época, sem computadores pra criar efeitos, deve ter sido difícil filmar aquilo. Quem quiser encarar, tem o filme inteiro dublado no Youtube https://www.youtube.com/watch?v=Vjbn77kfXHQ Quando acabou, eu estava meio chocado, mas não sentia medo. 

Medo eu senti quando começou o último filme: "Geração Proteus", de 1977. Trailer https://www.youtube.com/watch?time_continue=100&v=W-bfsgUQSUw&feature=emb_logo&fbclid=IwAR1uA8Fkvwz9VORYL3zDmq0gDCqdxrtGxb3RT0Y60iAPP0fdPzz3ROgqyhc O filme retoma a ideia proposta por Stanley Kubrick e Arthur Clarke em "2001, uma odisseia no espaço" (68), de um super-computador que passa a tomar decisões por conta própria. No caso de Proteus, ele é uma inteligência artificial criada por um cientista que o adaptou para administrar cada detalhe da casa onde mora. Como controla a casa, a máquina faz a mulher do cientista de refém e a insemina com algum esperma (que até hoje não sei de onde ele tirou). Nasce então a primeira criança da Geração Proteus.

É um clássico do mix ficção científica-terror, mas quem assistir deve estar preparado para ver algo mórbido e grotesco. As imagens, em associação com a música lúgubre, me marcaram tanto, que até hoje, mesmo nunca mais tendo visto o filme, lembro com nitidez das cenas. Na época, cheguei a sonhar com o bebê metálico que surge no final (foi mau o spoiler).

Durante muito tempo eu classifiquei "Geração Proteus" como o filme mais perturbador que eu já tinha visto. Até assistir, um tempo depois, "O bebê de Rosemary", mas aí já foi outra madrugada.



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