quarta-feira, 27 de maio de 2020

WEBDESIGN
João Cândido Martins


Uma das atividades que desenvolvi na faculdade de Jornalismo, que cursei entre 2002 e 2005, foi a elaboração do design de sites. Naquela época, só se usava o Photoshop e um ou outro programa de apoio como o Flash. Cada pedaço tinha de ser criado em separado e depois inserido na página. Nunca cheguei a trabalhar com isso, então não acompanhei a evolução dos programas de design para websites. Mas lá em 2003, montei essa página inicial usando manchetes fictícias inventadas por mim a partir de fotos aleatórias que eu tinha tirado naquele ano. O tema era livre, então resolvi criar a página inicial de um site de interesse local que abordasse política, cultura, gastronomia, turismo, downloads e artigos opinativos. Algo nessa linha.

A manchete principal questionava o destino das multas de trânsito em Curitiba. Uma matéria especial abordava o estilo de vida dos jovens da periferia. Outra, a história mirabolante de uma cachorra que herdou uma fortuna. Vinhos feitos em Curitiba seriam o tema da seção gastronômica e, na seção de turismo, uma matéria sobre a Ilha do Mel. Além disso, o site ainda falava que em Curitiba carteiros teriam de pagar pra usar o transporte público (o que foi proibido em 1989). E na parte cultural, uma entrevista com a banda Criaturas, da cantora e guitarrista Xanda Lemos e uma matéria falando sobre uma suposta passagem do grupo paulista Os Mutantes por Curitiba nos anos 70.
Do ponto de vista do design, eu destacaria o índice à esquerda em que os nomes das seções (em letras amarelas) caem num efeito Ghost in the Shell/Matrix. O painel abaixo, com a contagem de visitantes, tinha o visual similar a de um painel de carro (um Chevette, no caso). Nem todas as manchetes estão dispostas de forma horizontal. E a linha divisória vertical que separa a coluna à direita forma com a foto da avenida Marechal Floriano à noite, em formato oval, a imagem de uma nota de música. As imagens não tiveram retoque, com exceção da foto do semáforo e da palavra criaturas retorcida na pá de um pequeno ventilador.

Sou suspeito pra avaliar se o resultado ficou bom. Ele pode parecer confuso de início, mas acho que, olhando com calma cada divisão, a coisa funciona e o conjunto da imagem passa a fazer sentido. Nunca vi um site com essa proposta visual, mas acredito que deva existir. Lembro que o professor recebeu a página com frieza. Acredito que ele esperava algo mais convencional e de fácil leitura e visualização. O que é compreensível da parte dele, afinal a faculdade o incumbiu de nos ensinar o básico para o mercado de trabalho. Justamente em razão dessa metodologia, ele só abordava questões técnicas, deixando de lado os aspectos estéticos (como o uso da cor e a distribuição das imagens na página). Resolvi ignorar o cara e aprender o que fosse necessário por conta própria (como eu já tinha feito em outras disciplinas, como telejornalismo). De qualquer forma, tá aí o resultado e acho que se eu me deparasse em 2003 (ou mesmo hoje) com um site desses, ia ficar curioso pra dar uma conferida geral.

A cachorra da foto era, se não me engano, do Raphael Santi.
A trincheira que aparece na foto da matéria sobre os jovens da periferia fica na Rodovia do Café, na altura do Jardim Saturno.




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