quarta-feira, 27 de maio de 2020

AGATHA CHRISTIE
João Cândido Martins


Aos 10 anos comecei a ler Agatha Christie pelo final, isto é, pelo livro "Cai o Pano" (1975), último romance protagonizado pelo detetive Hercule Poirot. Eu não sabia disso, simplesmente o livro estava à disposição e eu resolvi ler. Um pouco do meu interesse estava relacionado com a capa (o Círculo do Livro caprichava na parte gráfica das suas edições).

Na história, Poirot retorna a Styles, o mesmo local onde se desenrolou sua primeiro aventura, "O misterioso caso de Styles", de 1920, lançado pela Abril Cultural na série Grande Sucessos Série Ouro. Poirot agora está envelhecido, se locomove em uma cadeira de rodas, seu cabelo está nitidamente tingido para esconder os fios brancos. Mas sua mente continua atenta e ele, em companhia do sempre leal Coronel Hastings, acompanha a sucessão de crimes sem motivação aparente que tornam a acontecer em Styles. Após a última morte, o detetive belga que se orgulhava da suas "células cinzentas privilegiadas", em referência aos seus próprios neurônios, também morre, em virtude de causas naturais. Hastings lamenta a morte do amigo e estranha que Poirot não tenha conseguido desvendar o último mistério, como fez ao longo de toda a vida em inúmeros casos.

Até que, quatro meses após o falecimento de Poirot, Hastings recebe pelo correio uma carta deixada pelo detetive com toda a solução do crime. E é inacreditável. Conforme ele expõe os fatos, o leitor se vê obrigado a voltar no livro pra verificar se o que Poirot diz é verdade. Agatha Christie deixou tudo bem amarrado e, como sempre, Poirot explica os homicídios sem maiores dificuldades.

Na minha opinião, "Cai o Pano" é o segundo melhor romance de Agatha Christie, só perdendo para "O Assassinato de Roger Ackroyd". de 1926, que além de também ter uma trama complicada (e com final inesperado), apresenta algumas das melhores cenas e personagens entre todos os mais de 80 livros da escritora inglesa. Outro livro que eu também sugeriria, é uma obra menor, mas muito bem escrita: "Poirot Investiga", um conjunto de pequenos contos lançado em 1924. São tramas simples, mas que exigem algum raciocínio pra entender os mecanismos dos crimes relatados.











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