quarta-feira, 27 de maio de 2020

DIA DAS MÃES
Leonor Martins de Oliveira Santos, a professora "Lôla" (1930/2008)

João Cândido Martins

Todo dia, em algum momento, eu sinto vontade de conversar com minha mãe, contar a ela sobre alguma trivialidade, ou pedir conselhos sobre algo sério. Ou falar sobre meu filho, que ela não conheceu.

Aluna de Helena Kolody no Instituto de Educação e exímia violonista, ela se tornou professora de Matemática no Magistério Público do Paraná no final dos anos 40. Iniciou sua carreira de professora em Santo Antonio do Sudoeste, atuando também em Foz do Iguaçu, cidades que naquele momento fervilhavam politicamente em função dos distúrbios que culminariam na Revolta dos Posseiros no Sudoeste do Paraná, em 1957. Foi lá que ela reencontrou meu pai, um conhecido de Santa Quitéria que atuava como delegado de polícia na região. 


Posteriormente, ela foi diretora do Colégio Paula Gomes, no bairro Santa Quitéria (que à época era a região sul de Curitiba) e trabalhou de forma simultânea em vários setores da Secretaria Estadual de Educação.
Passei boa parte da minha vida ouvindo as pessoas dizerem, às vezes de forma enfática, que eu era muito parecido com ela. Eu fui seu filho único (nascido após 16 anos de casamento), mas ela teve influência na vida de centenas ou até mesmo milhares de pessoas. Pra se ter uma ideia, dez anos após seu falecimento, ainda havia ex-alunos que tentavam fazer contato com ela, agradecer pelo apoio e mostrar sua família. Sem falar no açougueiro que ligou pra minha casa uns meses após a morte da minha mãe, e perguntou por ela. Contei que ela tinha falecido. Quando eu ia me desculpar por não ter comunicado antes, ele teve uma crise de choro do outro lado do telefone e eu acabei chorando também.


Fiquei sabendo que ela é lembrada com alguma regularidade numa comunidade aqui do Facebook dedicada ao bairro Santa Quitéria. Como não podia deixar de ser, afinal de contas, não por ser minha mãe, mas ela foi importante na construção do bairro entre os anos 60 e 80. Sinto muita falta dela e me sinto feliz por ter sido seu filho. Nesse pequeno texto só mencionei fatos gerais de modo superficial. Se eu fosse realmente falar sobre minha mãe, teria de escrever um livro.


Foto 1: Meu avô Eugênio Paulino Martins, minha avó Zeneide Cordeiro Martins e suas duas filhas Leony e Leonor (Lilia nasceria alguns anos depois)

Foto 2: Minha mãe, Leonor (Lôla), tocando violão no final dos anos 30. Com orientação do meu avô, ela se tornaria uma exímia instrumentista. Foto: acervo Cynthia Werpachowskki

Foto 3: Minha mãe, Leonor, conhecida como Lolinha, aos 14 anos em 1944

Foto 4: A carteira de identificação da minha mãe emitida em 1950 pelo Ministério da Guerra.

Foto 5: Minha mãe, aos 20 e poucos anos

Foto 6: Leonor Martins (Lôla), anos 50

Foto 7: Minha mãe (de branco) em companhia de colegas da Secretaria Estadual de Educação do Paraná, nos anos 60

Foto 8: Minhas tias Leony, Lília e minha mãe, Leonor (1968)

Foto 9: Minha tia Leony e minha mãe, Leonor, em Santa Quitéria (aprox. 1965)

Foto 10: Meu pai, Vicente, minha mãe e eu (1980). Na casa da família Linzmeyer, no Batel. Detalhe da foto: a entrada da casa era aberta, não tinha portão ou grades.

Foto 11: Minha mãe e eu, 1º sargento-aluno do Colégio Militar de Curitiba (1987)



 





 

















 

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